sábado, 11 de dezembro de 2010

1- Um saber formado e convencionado

Há em especial no ocidente uma tendência insistente pela comprovação de eventos de ordem experimental, e correntemente nomeados "conhecimento científico", em prol da formação de um saber supostamente vinculado ao que semanticamente se entende por verdade.
Esses diversos eventos são o esqueleto conceitual de um modus vivendi baseado na comprovação material ou, mesmo na análise eventos de ordem energética, pelo viés do teorema de Einsten que iguala a energia e a matéria em termos fenomenológicos. Essa linha tão equivocadamente entendida como inquestionável enquanto ciência pode e deve ser epistemologicamente questionada.

Citando-se logo no começo do texto o nome do Sr. Einstein, que no caso teria sido judeu praticante até os 12 anos de idade, mas ainda acreditando em Deus a seu modo, é interessante que ele esteja como iconico divisor de águas de uma ciência anteriormente reducionista e positivista, para abrir as portas do que num breve futuro constituir-se-ia como a fina flor do conhecimento ocidental: a física quantica (os fundadores foram praticamente Niels Henrik David Bohr e Werner Heisenberg). A esta observação, cabe no mínimo a consideração de que uma das pessoas mais racionais, científicas e avançadas - em termos de desenvolvimento intelectual, ainda em nossa atualidade - considerava como fato científico a existência de Deus.

Quanto ao sistema de pensamento corrente, em especial o utilizado pelos ateus para questionar a existência de Deus, estão:

1 conclusões estatísticas
2 crença fanática no método positivista reducionista
3 perspectiva formada pelo viés emocional humano (para crentes e ateus)
4 fé na lógica humana como sistema confiável
5 concepção do tempo em termos humanos
6 concepção de pureza e perfeição em termos humanos
7 fé no fato de que um suposto racionalismo é mais verdadeiro e seguro que a fé religiosa
8 fé nas respostas e nos sistemas de medição mecânicos ou eletrônicos

Os itens serão comentados mais detalhadamente em tópicos posteriores.
Importante anotar aqui, que um dos principais pressupostos da ciência de baixa precisão é a baixa amostragem e pequena quantidade de experimentos em favor de conclusões ligeiras. Um contra exemplo de que este método é absurdo é a teoria da loteria: a probabilidade de se ganhar na loteria é de um em alguns milhões ou bilhões de eventos. O que não implica que em tese, ela seja inviável. Ou seja, o questionamento sobre a ética das instituições não é argumento válido.
Esse exemplo foi utilizado para se demonstrar comparativamente que se num país, em dez anos, em algumas milhares ou milhões de igrejas não acontecer um único milagre, isso ainda não é prova de que eles não existam. Assim como o contato com Deus: se o investigador passar a vida inteira sem ouvir uma única manifestação de Deus, isso também não é prova de que ele não exista.

Tenho observado abordagens absurdas, manipuladas e absolutamente tendenciosas cujo objetivo pela prova da inexistência de Deus é forçada, falha, grosseira e sem método. Veja por exemplo este link, cujo primeiro parágrafo de abertura já é em si mentiroso:

A existência em Deus implica necessariamente a escravidão de tudo abaixo dele. Assim se Deus existisse, só haveria um meio de servir a liberdade humana: seria o de deixar de existir.
Mikhail Bakunin

São diversos sofismas amontoados e aparentemente com metodologia dedutiva: uma armadilha muito maliciosa para pessoas de mentalidade curta. Mesmo porque, apenas para algumas abordagens de algumas seitas ou crenças subjetivas é que Deus escraviza o ser humano. Eu particularmente nunca encontrei isso na Bíblia.
Retomando Einstein e o fato científico, é importante destacar que entre todo experimento e sua anotação/observação há um momento de fé na validade ou não dos resultados. Por isso, dizer que Einstein considerou fato científico a existencia de Deus, significa dizer que ele como cientista e autoridade no assunto não afirmaria nada sem antes utilizar o mesmo sistema lógico que valida outros experimentos ou a sua própria auto-análise. Caso isso não ocorra, há aí uma grande lacuna para ser explorada como crítica ao saber científico e sua confiabilidade, homogeneidade e consistencia em termos de unidade de conhecimento formado e acumulado.

O que se pode chamar de experimento observado por uma comunidade (científica) tem tanta probabilidade de ser verdadeiro quanto o que chamam de "delírios coletivos", comumente apontados em shows musicais e em igrejas. Obviamente porque a atmosfera laboratorial também tem suas formas de extase, sedução e hipnose, pelos mesmos argumentos que se aplicam a qualquer outra situação. 

Sendo assim, o problema da meta-ciência e da epistemologia é aos humanos insoluvel, pois enquanto o território do conhecimento vai ampliando-se e nele, suas torres de axiomas também vão ganhando altura, o horizonte da dúvida e da constatação da própria ignorancia amplia-se simultaneamente. Na proporção da escala, a equação

(massa da comunidade científica) dividida pela (massa do universo)

está na mesma proporção que:

(conhecimento científico) dividido pela (verdade do universo).

Ou seja, um número que tende a zero, euquanto

"tende a zero" = peso da opinião humana sobre Deus;

__________________________________________

Certamente alguém dirá que viu na Discovery que o número de combinações de conexões possíveis no cérebro humano é maior que a quantidade de átomos no universo. Aí está outro sofisma raso: primeiro porque não se pode determinar a quantidade de átomos do universo, uma vez que há matéria aprisionada e equilibrada ou desequilibrada de forma desconhecida num espaço que finito ou  infinito, seria inacessível à calculadora humana. Além disso, a quantidade de conexões não é equivalente à quantidade de conclusões, ou idéias, ou verdades produzidas pelo cérebro humano.

A isto é importante vincular que tanto a validade da observação no experimento quanto a profundidade que se tem sobre a composição do universo é também muito pequena. Introduzi Einstein como irônico simbólico desbravador da nova ciência, a física quantica, pelo simples motivo de que é ela mesma que prova através de um não tão recente pressuposto científico que num nível quantico, a presença do observador altera o resultado do experimento, problema melhor descrito pelo Princípio da Incerteza de Heisenberg,  que também pode ser observado neste PDF.
As conclusões deste experimento simplesmente indicam que:

1 - A impressão da realidade não é destacada do observador;
2 - A escala da mensuração tem relação com a nitidez do resultado.
3 - Que a matemática não é medida para a realidade, mas um suporte para o conceito de probabilidade, e que numa escala distante da humana ela adquire outros princípios (mecanica quantica e relatividade astronomica);
4 - Que resultados empíricos válidos em si são contraditórios mesmo através da lógica mais pura, produzindo resultados validos apenas através da análise e compreensão via metodologia qualitativa e não quantitativa.
5 - Que quanto mais se pesquisa sobre a matéria, mais se constata que ela está mais próxima do conceito de informação, frequência ou vibração (energias) que do conceito de "tijolo primordial".



Rascunho sobre a verdade encontrado na Wikipedia, no termo "epistemologia".

7 comentários:

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  3. Comentário,
    Caro Gabriel,
    Cheguei ao seu blog, após receber um e-mail do blog “Quebrando o Encanto do Néo-ateísmo”. Segui o link que você deixou lá e agora gostaria de fazer uns poucos comentários sobre esse seu artigo.
    Antes de tudo gostaria de comentar sobre o enunciado geral do seu blog que diz que ele é dirigido a pessoas que acham que a ciência prova que deus não existe. Alguém que acredita nisso não entende o que realmente seja ciência. Aconselho você a não perder tempo escrevendo contra a ciência, justamente para um público que não entende a epistemologia. Não se tem que provar que algo não existe. Se eu disser que acredito em fadas ou no saci-pererê, você não conseguirá provar que essas coisas não existem. Se eu te disser que tenho uma máquina de viajar no tempo, não é você que tem que provar que eu não a tenho. O ônus da prova é de quem afirma a veracidade ou existência de algo. Seria eu quem teria que provar a existência do saci, das fadas e da máquina, e não você. A ciência pode até provar que um milagre atribuído a deus não procede, mas isso não quer dizer que deus não exista. Bom não vou me estender nesse ponto. Te deixo esse artigo que escrevi. http://livrespensadores.org/artigos/honestidade-intelectual/ . A ciência erra muito mas está sempre em busca da perfeição. Ela aprende com seus erros e acumula conhecimento ao longo dos anos, o que faz com que ela não os repita. É um fato que a metodologia científica funciona muitíssimo bem. A prova é que nós estamos nos comunicando por computador e a mensagem que te envio durou menos de um segundo pra atravessar o atlântico (eu escrevo da Bélgica) trafegando por pelo menos três satélites diferentes.
    Eu achei interessante você dizer isso: “A esta observação, cabe no mínimo a consideração de que uma das pessoas mais racionais, científicas e avançadas - em termos de desenvolvimento intelectual, ainda em nossa atualidade - considera como fato científico a existência de Deus.” Você está se referindo a Einstein? Qual fato científico prova a existência de Deus? Por favor, apresente-o. Você está certíssimo quando diz que a ciência se atem aos fatos por isso, se a existência de deus for um FATO, não haverá mais o que discutir, a ciência aceitará imediatamente.
    Quando você fala da teoria da loteria, da baixa amostragem de um experimento, você está querendo dizer que a ciência forja resultados baseando-se em baixa amostragem? Em toda pesquisa científica que se preze consta a metodologia utilizada, o que inclui obrigatoriamente dados sobre a coleta e o número de amostras. Se estatisticamente a amostragem é fraca esse dado consta na conclusão dos resultados. Um artigo de valor é publicado em revistas e periódicos que o disponibilizam para avaliação pelos pares (outros cientistas independentes). Isso mostra a honestidade da pesquisa científica. É claro que existem “cientistas de meia-tigela”, formados por faculdades duvidosas, que escrevem porcarias sem nenhum valor científico, sem submetê-las à critica independente. Os criacionistas são um bom exemplo disso. Ainda assim a boa ciência comete erros todos os dias e esses erros são descobertos justamente por outros cientistas. Se um livro científico contem um erro, ele é corrigido assim que é identificado. Em contrapartida se você nota algo sem sentido num livro sagrado, é você que tem que ser corrigido e não o livro.

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  4. Continuação
    Quanto a seu argumento da loteria, toda pessoa que tenha um conhecimento mínimo sobre estatística sabe que uma probabilidade ínfima dificulta mas não invalida a ocorrência de um evento. Eu escrevi um artigo sobre isso e ele pode ser usado pra validar o fato de que o universo e a vida podem ter surgido por acaso. http://bulevoador.haaan.com/2011/02/20475. Como você mesmo diz, não é pelo fato de uma ocorrência ser extremamente rara, que ela não possa acontecer. Os cientistas têm plena consciência da importância da quantidade de amostras para a precisão dos resultados. Vou te dar um bom exemplo. A famosa experiência de Richard Lenski que comprova a Teoria da Evolução das Espécies vem colhendo amostras diárias a mais de 25 anos. Eles já analisaram mais de 50.000 amostras. http://en.wikipedia.org/wiki/E._coli_long-term_evolution_experiment
    Portanto isso que você diz aqui não procede: O que se pode chamar de experimento observado por uma comunidade (científica) tem tanta probabilidade de ser verdadeiro quanto o que chamam de "delírios coletivos", comumente apontados em shows musicais e em igrejas. Obviamente porque a atmosfera laboratorial também tem suas formas de extase, sedução e hipnose, pelos mesmos argumentos que se aplicam a qualquer outra situação. Mesmo que houvesse, êxtase, sedução e hipnose, num determinado laboratório isso só os exporia ao ridículo, pois para que um experimento científico seja considerado sério, pela comunidade científica ele tem que se submeter à apreciação de outros cientistas. Você se lembra do vexame da fusão a frio? Dá uma olhada nisso aqui: http://super.abril.com.br/superarquivo/1990/conteudo_112215.shtml
    Pra terminar, essa estória de que o número possível de conexões sinápticas seja maior que o número de átomos do universo não é uma afirmação científica nem mesmo uma hipótese a ser confirmada. Isso surgiu como uma questão filosófica e só. Não perca tempo com esse tipo de coisa. Concentre-se em provar que deus existe fora da mente de algumas pessoas.

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  5. é burro mesmo... vários comentários que você fez são o contrário do que eu disse... paciencia

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  6. Eu não tenho a paciência do Jeronimo para explicar sobre esse assunto, porque a algum tempo ja não faz diferença pra mim explicar algo parapessoas como o gabriel que não querem entender. Por isso dispensarei qualquer comentário contra seu texto pois o Jeronimo fez muito bem isso, porem isso é dificil mesmo de entrar na sua cabeça. Mais estou postando para parabenizar o Jeronimo pela a explicação e dizer que deixe as pessoas acreditarem em um livro que foi escrito a mais de 1000 anos por pessoas que eram totalmente influenciáveis por qualquer coisa.

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  7. não sabe ler mesmo. Então tente provar que o vermelho não é verde usando o olfato. Tente provar que a luz ultravioleta está presente usando uma vitrola para discos de vinil. Tente provar que a sensação do sexo existe usando uma calculadora HP. Ou é burro ou faz questão de ser; Tente provar que Deus existe usando a ciência.

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