domingo, 5 de dezembro de 2010

5- Falar em línguas

Shambala nahaniktio factionihordion... El Shadai ahktamaktrafia baharaftif nohtuhtk... oooh shamashtafio hamalaia...

Ta aí um assunto legal. E tome polêmica.... falar em línguas é uma coisa que 99,9% das pessoas que não acredita, acham basicamente uma coisa ridícula e cômica. Diriam (rindo, claro): Um monte de gente louca e ignorante tentando falar feito árabe ou alguma coisa parecida com alguma língua do tempo de Jesus, sugestionadas pelo clima hipnotizante elaborado com luzes, pregações, extase coletivo, semiótica, subliminares, neurolinguística, e tudo mais que é artificioso e pode gerar a loucura no ser humano.

Além disso essas pessoas devem estar mesclando semanticas do pré-consciente com impressões de memórias recentes e antigas ao mesmo tempo, numa catarse de letras e palavras indefiníveis, praticamente uma sequência de euforia linguística mais guiada pelo emocional que pela compreensão
(um pseudo-sabio muito pedante falando)

Eu confesso que a primeira vez que escutei fiquei meio pasmo... achei verdadeiramente bizarro e sem nexo, sem razão e sem sentido. Exceto por um: o da fé.
Elfico de Tolkien: isso nao tem
nada a ver com falar em línguas...
Invariavelmente, nos lembramos de idiomas como sanscrito, hebraico, e até mesmo o elfico ( que legal ! )... Aí, tem também aquela tiazinha que veio de lá debaixo da pedra falando meio beduíno porque escutou palavras parecidas do pastor local que aprendeu no vídeo do pastor famoso.

Eu gosto de polêmica, isso é óbvio. E talvez por ser mais divertido, prefiro ficar do lado polemizado que do lado conservador. Simplesmente porque acredito que a verdade não é esta que é seguida pela maioria que está muito segura com seus conhecimentos seguros.

Falar em línguas é uma forma de se comunicar com Deus. E nesse canal particular, que só você tem e quase ninguém entende (alguns tem o dom de interpretar), nessa intimidade com o criador Todo Poderoso, só ele entende o que você fala. Nenhum demônio capta a mensagem, e invariavelmente, uma saraivada de línguas na cara deles deve afastar seus crânios ocos pra bem longe.
Bem, para continuarmos o assunto, seria necessário um tratado muito grande sobre alguns pontos específicos:

1) o fato de que Deus existe
2) o fato de que Deus escuta o pobre ser humano
3) o fato de que demônios existem
4) o fato de que eles não entendem o tete-a-tete do crente com Deus.

Missão pretensiosa seria essa.... material não falta, vá ler por aí.
Limito-me a analisar, do meu ponto de vista, o que é esse fenômeno "falar em línguas", mas de um ponto de vista que é o que você provavelmente espera, não o que os crentes não precisam. Pois para eles, acreditar é sinônimo de verdade, e a Palavra tem poder. Eles tem a felicidade de não precisar de explicações, de não ter que analisar as coisas através de intermediários da verdade - e sobre isso muitos já reclamaram da Igreja Católica. Esses intermediários chamados teorias e cientistas, dessa nova igreja chamada ciência. O véu já foi rasgado com o fato consumado, mas se você não conhece a Palavra, não saberá o que eu quis dizer agora.
Soa ridículo acreditar plenamente na ciência pois é um conhecimento tão recente, e por ter alguns aspectos verdadeiros não é inteiramente confiável.

A robustez do conhecimento perde sua força diante do real: sou arquiteto e também aprendemos calculos estruturais, quantificações, dimensionamentos, métodos e técnicas. Entendemos o que é ciência, e o que é arte, e que ambas são como óleo e água.

Mas arquitetura não é isso: arquitetura é o vazio que fica ali para ser usado. É a linguagem incomensurável que se exprime através da semantica e da sintaxe que os cientistas não conseguem catalogar, quantificar, medir, conter, nem testar hipóteses com um rato. Para metade do cérebro, não há ciência. Nem para metade do mundo.

A questão é saber que o Homo sapiens fala. E fala de suas entranhas, vociferando aquilo que consegue. Aquilo que ele não conhece, que não tem bordas delimitadas nem nome, é objeto bem tratado pela psicanalise lacaniana, e de certa forma por Melanie Klein e por Saussure.  (veja mais neste resuminho Saussure e a língua portuguesa).

Se há objetos sem nome, e eles podem ser nomeados agora com permissão pública num lugar que ninguém vai te chamar de louco, é uma possibilidade no mínimo terapeutica. Já a relação humana dita inédita e inaugurada pela psicanálise, a transferencia e a contra-transferencia analítica, entrar em processo de análise, com ética, que agora ocorre em velocidade inesperada, na interpretação de línguas, é uma condição do relacionamento humano que, suponho eu, nenhuma igreja evangélica reclamou o título de ter inventado, mesmo porque isso acontece talvez a milhares e milhares de anos. Exatamente como a psicanálise e a transferencia.

Quanto à composição léxica, a delimitação do "objeto sem nome" (seja ele de angustia, de desejo, enfim...) que pode ser agora nomeado, expresso em voz alta, em circuitos também inesperados e improváveis, é uma forma de catarse que a ciência ainda não mediu nem catalogou, e nem vai conseguir levantar dados estatísticos, nem repetir o experimento nas mesmas condições para provar sua veracidade. Isso é campo de outra forma de conhecimento: da palavra da Verdade - eis aqui uma brincadeira da minha fé em contraste com a pretensão científica: eu acredito mais no dom de falar em línguas como um canal de comunicação com Deus do que nas elocubrações infinitas que poderiamos fazer aqui, em torno do conhecimento "formado" sobre o assunto.

Simplesmente porque acreditar em Deus ou na ciência é uma questão de fé. Acredito em ambos, mas a ciência é um graozinho ínfimo para Deus. E Ele existindo, falar em línguas de forma que apenas Ele entenda, é um fato absolutamente viável e provável.
Manuscrito encontrado no Peru com
desconhecido dialeto mesclado: isso
também não tem nada a ver com
falar em línguas...

Vamos simplificar a questão: caso seja simplesmente uma catarse de objetos até então sem nome, proferidos sem linearidade e/ou com convulsões da emoção (ou como diria Jung, energia liberada), ou uma imitação de linguas antigas com intenção de se comunicar com Deus, não faz diferença. Faz diferença se considerarmos que a ação e a intenção agem no plano do real, seja através da subjetividade ou através da divindade.

Eu particularmente prefiro acreditar que Deus pode compreender qualquer coisa que eu esteja dizendo, que nem eu mesmo sei, pois são objetos inomináveis, em tempos sobrenaturais, direcionados a eventos e realidades que são tão multiplas quanto as possibilidades de combinações entre eles. Deus pode, com certeza, e somente Ele, pois o homem e os demônios, a ciência tradicional e a antropologia,  a medicina, a psicanálise e muito menos o behaviorismo poderão alinhar fenômenos que ocorrem em planos imperceptíveis e indetectáveis. Planos proféticos, e porque não dizer, planos fora da linha geométrica e temporal da realidade que todos chamam de "única".

Um comentário:

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